
Nizan é disparado o maior profissional de criação e empresário que a publicidade brasileira já conheceu. Superou Mauro Salles, Geraldo Alonso, Jens Olesen, Washington Olivetto, Alex Periscinotto, Julio Ribeiro, Fabio Fernandes, por larga margem.
Nizan fez a DM9 e dela, um case histórico, vencedora absoluta de prêmios publicitários em quantidades oceânicas, depois vendida à vetusta DDB por alguns milhões de dólares. Nizan depois ajudou a criar o iG, hoje uma potência na internet brasileira, afastado em quarentena após vender a DM9.
Nizan ainda encontrou tempo para criar a Agência Click (hoje incorporada pela multinacional AEGIS). Nizan criou a África e com ela um pequeno império de agências prestadoras dos mais diversos serviços no negócio de comunicação. Em poucos anos, Nizan formou um grupo sólido que recebe aportes de milhões de fundos de investimento como o Gávea de Armínio Fraga.
Nizan é tão talentoso como empreendedor que faz o sucesso da África a partir de música. Nizan poderia mostrar aos executivos da indústria fonográfica como é possível fazer dinheiro em um negócio decadente, massacrado pela onda P2P, pelo MP3, pela democratização dos meios de distribuição da música. Isso porque a sua África tem propensão, vício, tendência a oferecer sempre a mesmíssima solução criativa para seus clientes, encaixotando fórmulas pré-fabricadas para problemas diferentes.
E antes que me adulem ou me apupem, alerto: no mais das vezes, com toda razão.
Mas que é chato, é chato. Que é previsível, é previsível. Que é medíocre, é medíocre. A África é uma espécie de Microsoft das agências. Pode oferecer mil alternativas de produtos, mas ganha dinheiro mesmo com o Windows e com o Office. A África, com os jingles e os formatos desdobráveis. E é vista sempre como a alternativa número 1. Perto da África, a Mr Brand é um Linux mal-ajdambrado.
Mas vejamos: a nova campanha da Vale. Nova marca, e o que temos? Um jingle, reciclando Olodum, Axé, ritmo brasileiro, verde-amarelo, gente sorrindo, paisagens "Brasil Grande"... E, claro, o jingle cantado em corinho... E, pior, ainda usa como metáfora da marca que nasce diversos bebês. A analogia de marca que nasce como bebês já era antiga há 30 anos...
- Campanha da Brahma, jingle com Zeca Pagodinho no Bar, sloganzinho pré-fabricado (Pediu Brahma, pediu bem), corinho, cerveja escorrendo do copo...

- Campanha da Brahma, jingle com Zeca Pagodinho no Bar, sloganzinho pré-fabricado (Pediu Brahma, pediu bem), corinho, cerveja escorrendo do copo...- Campanha da Parmalat, reciclando, alguns anos depois, a campanha por ele capitaneada dos "mamíferos" da Parmalat ainda na DM9, com direito a jingle renascido.
- Vivo - "Vivo! Vivo!" exclama o corinho no jingle, aí mascarado pela voz grave do locutor que costuma emprestar sua voz para outras grandes empresas. E uma pitada de Marilia Gabriela para dar credibilidade.
- Itaú - opa, aqui não tem jingle, mas tem uma campanha desdobrada em cima do "Feito para você", literalmente idêntica à campanha dos 50 anos da Folha, também da DM9, em cima do número 50...
- Assolan - Hypermarcas - agora encaminhada para outra agência do grupo, a MPM, que, ora, vejam só! Também tem um jingle meio axé, com corinho e uma voz grasnada, meio Ivete Sangalo e uma palha de aço animada dançando. Um fenômeno! (imagine uma agência pequena sugerir esse slogan - "fenômeno" para qualquer um de seus clientes.)

Incrível!
Ajuda as marcas para as quais presta serviços a construirem suas marcas com os mais surrados truques da propaganda. O que na verdade nada tem de espantoso. Espanto seria ver outras agências tentarem ganhar a vida dessa maneira. Seriam ridicularizadas, claro.
Mas Nizan é inatacável. Ele é poderoso, ele é talentoso, ele é sempre bem-sucedido. Não vamos fazer aqui a apologia da propaganda criativa, inconseqüente e doidivanas. Nem esquecer que vivemos em uma era de pragmatismo extremo, onde o consumidor tem tanta voz ativa e tantas opções que pode simplesmente ignorar a sua campanha de massa. Mas certamente sabemos que Nizan pode ir mais longe, pode oferecer mais que corinhos e releituras. Pode oferecer mais valor pelo dinheiro do cliente.
Ou então pode criar a África Discos e Records, para mostrar como é possível fazer marcas caírem na boca do povo com chicletes de orelha.
chefinhO.. hehehhe
ka germanO.
chefinhO.. hehehhe
ka germanO.
One response to “África. Ou como é possível ganhar dinheiro com música sem apelar para o MP3.”
Legal e instrutivo o post. Não chame nada do que você faz de lixo, nem de brincadeira. Faz mal pra todo mundo.
Poste mais como esse. Parabéns.
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